|
|
Herdeiros, sucessores e sócios - Como prepará-los |
|
| |
|
A experiência tem demonstrado que exige muito esforço, compreensão e diálogo manter uma sociedade onde os parceiros se escolheram de maneira livre, sem imposições. Imaginemos então a dificuldade de preservar uma relação societária em que as partes não se escolheram, mas foram colocadas na situação pelas imposições dos vínculos familiares e de herança. É este um dos mais importantes desafios que enfrentam os sucessores de empresas familiares na transição de uma geração para outra. O que descrevemos neste artigo é a experiência concreta que estamos desenvolvendo no Brasil, com empresários e herdeiros, de criar a consciência e os mecanismos para encaminhar este assunto. Procurando conciliar interesses pessoais, familiares e o futuro da empresa, o processo inicia-se com a profissionalização dos proprietários. Profissionalizar a relação que passa a existir entre familiares que se tornaram sócios e deverão tomar decisões estratégicas sobre o futuro dos seus negócios. Individual e Coletivo O fundador da empresa tem na sua origem um ideal: tornar a empresa o agente que viabilize a felicidade e tranqüilidade da sua família. Mas este sonho torna-se um pesadelo quando descobre que muito ao contrário do que imaginava, a empresa transforma-se no foco das disputas e discórdias familiares. O que o empresário esquece é que ele não criou apenas uma empresa. Ele montou uma sociedade entre pessoas, que embora sejam da mesma família, não se escolheram como sócios. E deverão funcionar como tal. Ou seja, o desafio pode ser resumido da seguinte maneira: como conciliar dinâmicas diferentes de três funções também completamente distintas. A família, que atua dentro de uma dinâmica totalmente afetiva. As relações decorrem de preferências pessoais totalmente incontroláveis. A sociedade (propriedade) que tem uma dinâmica acionária determinada pelas proporcionalidades da participação de cada um. Dificuldade esta ampliada através da pulverização inevitável. E a empresa, que deve atuar em função de uma dinâmica do mercado, hierarquia e claras estratégias. Estas diferenças tornam-se ainda mais acentuadas pela pouca disposição que muitas vezes os herdeiros têm de dar satisfação aos demais. Muitos utilizam inadvertidamente, a frase "eu sou dono...", quando na realidade não o são. O que de fato deverão tornar-se é sócios de um empreendimento que herdaram e com o qual tem uma grande responsabilidade. E na conciliação de todos estes interesses, individuais e coletivos, é que se concentra o grande desafio de manter uma sociedade funcionando e a empresa desenvolvendo e fazendo frente ao mercado (clientes, fornecedores e concorrentes). Para muitos herdeiros o fracasso frente a este desafio os torna infelizes como pessoas e frustrados nas suas realizações. Construindo uma sociedade Uma sociedade precisa ser exercitada. Se esta missão foi vital para os fundadores, mais importante ainda será para os herdeiros. Pois os sucessores deverão dividir seus papéis entre sócios (acionistas) e administradores. Não será possível imaginar todos comandando a empresa. Ela não poderá durar muito tempo e disto temos inúmeros exemplos. O programa de Formação e Profissionalização de Sociedades Familiares tem os seguintes objetivos:
Desenvolvido através de uma metodologia pragmática a carga horária é adaptada em função da heterogeneidade do grupo. Os tópicos principais que são abordados referem-se à temas como distinção entre propriedade e administração (direitos e obrigações); Conceitos básicos da empresa; Estruturas organizacionais e de poder na empresa; Decisões estratégicas (Conselhos de Acionistas e Funções Executivas); Informações financeiras; Lei das S.A.; Relacionamento acionário; Investimentos; Administração do Patrimônio (pessoal e familiar); Gestão corporativa; Informações fornecidas pelos executivos da própria empresa; Avaliação de pontos críticos na relação entre sócios e a gestão. É evidente que estes conteúdos podem ser ampliados e adaptados para cada caso. O importante é que esta atividade deve envolver todos os membros da família, sem exceção. Renato Bernhoeft |
|