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Formação de sucessores: A experiência brasileira |
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Ao longo de seis meses, um grupo de quatorze herdeiros, de diferentes empresas situadas nos estados de São Paulo e Paraná reuniram-se semanalmente numa experiência inédita do I Projeto de Formação de Sucessores. Metade deste grupo era constituído por herdeiras, o que deu à ele características e representatividade muito ricas. O principal objetivo do programa foi prepará-los para administrar ou fazerem parte de sociedades familiares. Ou seja, invertendo uma tendência constante na proposta às empresas familiares, a prioridade não era capacitá-los para o exercício da gestão dos negócios, mas entenderem que seu maior desafio será manter e administrar uma sociedade constituída por herdeiros que não se escolheram. Mas, que a partir de um momento de suas vidas têm o desafio de dar a esta sociedade uma configuração duradoura e profissional. UMA SOCIEDADE POR HERANÇA Um grupo marcadamente heterogêneo como boa e real representação do Brasil comtemporâneo constituiu a primeira turma do Projeto de Formação de Sucessores. Diferentes origens (italianos, alemães, judeus, portugueses, etc.), com distintas experiências que iam desde pessoas que já haviam assumido o comando de emresas até outras que pouco conheciam dos negócios da família. Diversificados nas suas atividades que cada empresa desenvolvia, pois estavam vinculados aos setores tanto de alimentos, textil, transportes, editora, produtos industriais, usinas, engenharia, etc. ao mesmo tempo que deverão cuidar no futuro de negócios que tem diferentes portes. Empresas que possuem 34 mil empregados como outras que estão nos 10 mil e até algumas na faixa dos 800 à 1.200. Pequena variação de idades mas muito diversificada formação acadêmica. Este era o "perfil" do grupo que, após o término do projeto decidiu continuar reunindo-se mensalmente para prosseguir na troca das suas experiências. Mas o que há em comum num grupo como este, e que deve ser fortemente trabalhado? O fato de que todos eles estão convencidos que não vão herdar uma empresa. O que de fato vão receber é uma sociedade, constituída por membros que não se escolheram. E que a única possibilidade de terem sucesso em seus empreendimentos empresarias decorre da capacidade, e mais ainda, da habilidade de preservar e desenvolver esta sociedade. Estão convencidos de que as empresas familiares desaparecem porque não preocupam-se em constituir modelos societários entre os herdeiros que conciliem os interesses individuais, familiares e coletivos. O choque entre estes interesses é que destrói as relações, e por via de conseqüência, as empresas. Ao longo de todo o programa eles discutiram o que é e o que caracteriza a empresa familiar.Peculiaridades da singular e complexa estrutura familiar.Participaram de um jogo de empresas para simular a gestão estratégica de um negócio e compreender suas interdependências. Foram submetidos à um processo de montar um projeto de auto-desenvolvimento. (Tiveram contato com autores nacionais como parte do desenvolvimento cultural.) Debateram idéias com sucessores que estão hoje à frente dos seus negócios que prestaram depoimentos marcantes para o grupo. Analisaram o papel da imprensa no futuro das relações da empresa com este chamado "quarto poder". Constataram que o conceito de responsabilidade social já não é algo tão distante e para o qual devem estar preparados na medida em que também as relações capital-trabalho se transformam. Enfim, puderam entender a complexidade e magnitude do seu papel e responsabilidades como agentes de uma mudança que permitirá construir um Brasil grande com a plena e responsável participação dos empresários. E por esta razão começam hoje a participar, ativamente e como parte do programa, de entidades de classe e câmaras de comércio internacional. Por esta razão é possível afirmar que preparar o herdeiro significa capacitá-los para administrarem duas grandes sociedades. A sociedade que vai herdar e a sua relação com a sociedade brasileira. Estes herdeiros serão agentes do processo de mudança da nova mentalidade empresarial brasileira. E só desta maneira teremos um país forte com uma economia estável gerada por empresas mais responsáveis na sua relação com a comunidade e suas diferentes parceiros. Renato Bernhoeft |
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